Jair Bolsonaro decidiu seguir a carreira militar em 1970, quando teve contato com tropas do Exército que foram a Eldorado atrás de Carlos Lamarca, que havia desertado e passado a comandar ações de guerrilha no Vale do Ribeira. De forma discreta, aos 15 anos, ele participou da caça ao guerrilheiro.

Patriota, Bolsonaro ingressou no curso de formação de oficiais da Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), localizada em Resende (RJ), e no curso de paraquedismo militar na Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro, concluídos em 1977. Em 1983, ele se formou em Educação Física, na Escola de Educação Física do Exército, e tornou-se mestre em saltos, pela Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro.



Na época em que ingressou na AMAN, havia 38 vagas disputadas por 40 mil inscritos. Bolsonaro estudou em uma Academia que oferece sólida formação em ciências exatas, com base de complexidade similar à de um curso de Engenharia. Trata-se de um dos cursos mais concorridos do Brasil, podendo ser comparado ao da West Point, Academia Militar do Exército dos EUA.

Quando Bolsonaro cursou Paraquedismo Militar, havia outros 250 alunos. Apenas 35, entre eles Bolsonaro, o concluíram e se tornaram elite. Depois disso, Bolsonaro ainda conquistou o primeiro lugar em uma turma de 45 alunos, na Escola de Educação Física do Exército, em 1982, e o primeiro lugar no curso de Mergulhador Autônomo, no Grupamento de Busca e Salvamento do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, em 1985. 

O artigo, que defendia os jovens que ingressavam no Exército, ocasionou sua prisão disciplinar, pois foi considerado infração do regulamento. A punição provocou a reação de oficiais da ativa e da reserva, inclusive do general Newton Cruz, ex-chefe da agência central do Serviço Nacional de Informações (SNI) no governo João Figueiredo. Bolsonaro recebeu cerca de 150 telegramas de solidariedade das mais variadas regiões do país, além do apoio de oficiais do Instituto Militar de Engenharia (IME) e de mulheres de oficiais, que fizeram uma manifestação em frente ao complexo militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro.

O clima de descontentamento entre os militares continuou repercutindo. A revista Veja noticiou, entre outras manifestações, um plano denominado “Operação beco sem saída”, que tinha como objetivo “explodir bombas em várias unidades da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras (...) e em vários quartéis”, com cuidado para que não houvesse feridos. A operação, no entanto, só seria executada se o reajuste concedido aos militares pelo governo federal ficasse abaixo de 60% e serviria para “assustar” o ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves.

O plano foi atribuído a Bolsonaro que, na época, cursava a Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO), e ao capitão Fábio Passos da Silva. Em junho de 1988, porém, depois de longo processo e comprovação de exames grafotécnicos que isentaram Bolsonaro de ter desenhado tal plano, o Superior Tribunal Militar o inocentou. Nada foi encontrado a fim de desabonar a sua carreira ou idoneidade, tanto que Jair continua sendo, até hoje, Capitão da Reserva do Exército Brasileiro.